Textos categorizados 'blog'

Como criar uma versão do blog para celulares?

screen-capture-8A partir de hoje, os visitantes deste blog contam com uma versão destinada a dispositivos móveis. O link de acesso é http://gilbertoconsoni.mofuse.mobi/?sm=1 e ficará disponível no menu lateral.

Nessa versão são carregados apenas os títulos das postagens na Página Inicial. Imagens e textos carregam após a escolha do internauta. A outra vantagem é que o menu lateral, com Principais mensagens, comentários recentes, clicks em alta, etc, não carregará, evitando aquela longa página ao se acessar versões não destinadas a celulares.

Por seu propósito, este blog tem textos longos, foge da regra aconselhada para o texto web que deve ser curto, quanto mais para celulares. O serviço instalado modifica a estrutura do blog, mas o formato do texto permanecerá. O serviço instalado foi o MoFuse.

Blogs (+) que leio

Nos meus bookmarks existem duas pastas que dizem respeito aos RSS Feeds que assino. Uma pasta se chama Blogs (+), que são aqueles espaços que sempre acesso quando tem novas postagens, e o Blogs (-), que são também ótimos blogs mas que não consigo acompanhar como gostaria. Compartilho aqui os meus Blogs (+) que indico a leitura:

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INTERAÇÃO 2.0: A comunicação humana mediada por comutador na Internet da cooperação

O blog tem estado abandonado por diversos compromissos que me ocupam nos últimos meses. As disciplinas do mestrado, os artigos finais, pesquisas do Laboratório de Interação Mediada por Computador e o estágio docente têm tomado todo o meu tempo. Porém, ontem à noite [leia-se de madrugada] consegui concluir mais uma etapa em minha vida acadêmica ao terminar a monografia da especialização na UCPel.

O trabalho trata de um estudo teórico sobre a interação e a formação de relações sociais através de sistemas interativos da Web 2.0 como os blogs. Com o titulo “INTERAÇÃO 2.0: A comunicação humana mediada por comutador na Internet da cooperação”, fez-se uma discussão a partir de conceitos e definições já cunhados por outros autores, que foram sempre discutidos em seus ambientes naturais e depois aplicados aos blogs. As comparações de situações do presencial e do virtual são freqüentes durante o texto. Os conceitos de Web 2.0 e dos blogs, serviços típicos desta segunda geração da web, a partir de aspectos comportamentais da Escola de Chicago a das formas de comunicação mediada por computador (CMC) receberam uma especial atenção.

A defesa deve ocorrer nas primeiras semanas de setembro e, assim que receber as contribuições da banca e as alterações forem feitas, estarei disponibilizando o texto completo aqui no blog.

Em tempo: esta é a segunda monografia que faço, novamente não terei o prazer de entregar pessoalmente e comemorar junto aos meus colegas. No final da minha graduação, estava com diversos compromissos profissionais que minha própria orientadora entregou meu trabalho. Agora, o motivo que me impede é que segunda-feira, prazo final para entrega das monografias, estarei indo para o congresso da Intercom apresentar um trabalho. Perco a festa outra vez :( Antecipando os agradecimentos da monografia, agradeço a Gabi que estará imprimindo as cópias e entregará o trabalho em Pelotas. Valeu por mais esta pronta ajuda Gabi :) Aproveito para convidá-los para acompanhar no Twitter a cobertura da Intercom 2008 que, como de costume, faço nos congressos que participo.

Político quer processar blog novacorja.org

Um possível candidato nas próximas eleições em Porto Alegre está querendo processar o responsável pelo blog novacorja.org. O motivo seria os comentários feitos a respeito de sua pessoa depois da postagem de um texto enviado pelo próprio candidato com muitos erros de português. Nesse meio tempo, na evolução da conversa nos comentários, foram levantadas outras questões em relação a dois partidos e publicados alguns e-mails recebidos e enviados pelos partidos e candidato.

O político já tem advogado, já foi postado no blog o que ele estaria requerendo e a resposta do novacorja.org à ação que vem se construindo.

A indicação das duas postagens foi da colega Lívia já que analiso a questão das conversações nos blogs. Vale a pena ler os comentários para se perceber o quanto são levados a sério e, também, por serem um tanto cômicos.

Comentários ocupam 30% da blogosfera

O artigo “Leave a Reply: An Analysis of Weblog Comments”, de autoria de Gilad Mishne e Natalie Glance, traz resultados de uma pesquisa com uma amostra gigantesca, em que trabalham muito as questões quantitativas dos comentários para suas analises. No texto é possível se ter uma boa dimensão do espaço ocupado pelos comentários na blogosfera, que segundo a pesquisa atinge algo acima de 30%.

Através de uma minuciosa explicação dos comentários nos blogs, o texto faz uma interessante relação entre os comentários e a popularidade dos blogs, utilizando-se de ferramentas como o Sitemeter para sua pesquisa.

Mas, também salienta as disputas nos comentários que geram controvérsias estimulando o debate. Chegam a identificar os principais tópicos do debate, entre eles, Iraque , Casa Branca, Constituição, Suprema Corte, etc.

One class of comments we found particularly interesting was the set of disputative comments, comments which disagree with the blogger (or with other commenters), forming an online debate. We hypothesized that these comments can be used to identify controversial topics, authors, newspaper articles, and so on. (P. 6)

Essa questão, em particular, também me desperta interesse, já que surge uma conversação entre esses blogueiros que procuram seu espaço. O apontamento dos principais tópicos, como foi feito, leva-me a pensar se não seria interessante tal metodologia para se estudar a conversação na rede, identificar os principais tópicos e ver se os comentários têm ligação. Mas, não numa amostra do tamanho desse artigo, seria algo humanamente impossível. 

New York Times é ultrapassado pelos blogs

Em uma postagem anterior, onde respondi ao meme “Blogar…uma profissão?” estendeu-se pelos comentários uma discussão interessante relacionando uma outra questão que são os blogs e jornalistas.

Bom, no comentário da Tina ela coloca que nos Estados Unidos, onde vive, as pessoas estão buscando informações nos blogs e não chegam a questionar se são escritos por jornalistas ou não.

Acredito que os jornalistas são os profissionais que estão aptos do conhecimento a fazer jornalismo. Porém, depois de ler uma postagem de André Lemos e ter a informação de que, segundo uma notícia do Telerama, as pessoas estão buscando mais informações nos blogs do que no próprio New York Times, vejo que a Tina tem razão no que tem ocorrido por lá.

Agora, basta saber por quem são escritos esses blogs e se não são os próprios jornalistas que estão se destacando nesses meios e, ainda, continuarei acreditando que os blogs podem ser um local onde “Cada jornalista pode ser um veículo de Comunicação Social”.

meme: Blogar… uma profissão?

Gabi me convocou a responder ao meme “Blogar… uma profissão?”. Na postagem em que faz tal convocação (provocação :p), ela também se refere ao meu último texto: “Cada jornalista pode ser um veículo de Comunicação Social”. Por isso, me sinto na obrigação de responder ao meme relacionando algumas questões a esse post anterior.

Já vou logo afirmando que, em minha opinião, blogar não pode ser algo visto como profissão. Pois, acredito que os blogs nada mais são do que um suporte técnico que permitem qualquer um publicar na Internet. Na minha postagem anterior, destaquei algumas diferenças entre jornalistas, especialistas e público em geral, para deixar claro que cada um tem o seu papel na sociedade e que, por isso, não acredito que podemos considerar blogueiros como jornalistas. Esses, nada mais são do que pessoas publicando sobre temas que lhe interessam e mesmo que tirem, em algum momento, a audiência dos jornalistas, por sua proximidade aos fatos, por exemplo, não quer dizer que tais pessoas estejam desempenhando a função de jornalistas.

Elas nada mais são do que pessoas que têm um espaço para publicarem suas opiniões, escreverem sobre os fatos que lhe interessam. O que é algo extraordinário no que diz respeito à democracia no mundo. Mas, como dito em minha postagem anterior e como a própria Gabi falou na postagem dela, existem diversas questões éticas e de conhecimentos trabalhados por jornalistas que os diferenciam das demais pessoas que publicam no blogs. A principal delas, em meu entender, seria a questão do compromisso que um jornalista tem em escrever uma notícia. Porém, assim como disse antes que o jornalista pode ser um repórter cidadão, ele também pode manter um espaço sem ter os compromissos que ele têm num veículo, desde que deixe claro o que é jornalismo e o que é opinião. Pois, ele tem obrigações éticas frente ao público.

Vejo nos blog grandes possibilidades para todas as profissões, mas não uma nova profissão. Não existira uma nova profissão de blogueiro, mas sim o jornalista que posta, o escritor que posta, o cronista que posta, o chargista que posta, etc. Ou seja, todos profissionais de diferentes áreas que têm um novo suporte para falar do que bem entenderem.

A minha área é o jornalismo e vejo nos blogs alternativas de jornalistas se moldarem a tornar a tarefa de informar algo mais democrático. Na verdade, nada diferente do que já deve ser feito nos atuais veículos em que desempenhamos nossas funções, mas não podemos ser demagogos e desconsiderar que muitas vezes estamos engessados a linhas editoriais. A ênfase da profissão de jornalista não muda com os blogs, o que muda é o suporte técnico e as possibilidades de melhor desempenharmos nossas funções.

Vi em alguns blogs que responderam o mesmo meme que há uma discussão quanto ao diploma de jornalista relacionado a esse tema. Acredito que não seja necessário falar disso, pois está claro para mim que todos podem blogar (mais o deveriam fazer), mas que só jornalistas podem fazer jornalismo.

Não vejo os blogueiros como uma ameaça ao jornalismo, talvez o fossem para as empresas jornalísticas. O jornalismo estará seguro pelos jornalistas que possuem diferenciais de anos de desenvolvimento da profissão e tornam a função de extrema importância à sociedade. Nunca podemos deixar de esquecer de que o jornalismo têm o compromisso e a função com a sociedade de mantê-la informada de temas como política, segurança pública, saúde, etc. Por mais que os blogueiros possam fazer isso, serão os jornalistas que o farão em compromisso ao juramento de sua profissão distanciando-se de simples opiniões e interpretando para informar com ética e serenidade.

Para finalizar a resposta ao meme, se consideramos a tarefa de blogar uma profissão, também devemos considerar profissionais as pessoas que se reúnem para discutir e opinar sobre temas diversos. Por que não da profissão de “discutidor”?

Cada jornalista pode ser um veículo de Comunicação Social

Há uma grande discussão na rede quanto à função de jornalistas para a circulação de informação. Desde que surgiram os blogs, tornou-se muito fácil a qualquer pessoa estar publicando informações na Internet.

Essa facilidade tem sido utilizada por muitas pessoas e, com isso, surge a discussão de quem está mais apto a escrever sobre determinado assunto: o especialista da área, no caso de assuntos técnicos como, por exemplo, economia; ou, o jornalista que, ao menos na teoria, busca passar informações se afastando de opiniões ou as deixando claras, quando aparecem, ao público.

Existe, ainda, a questão do tempo/espaço. Com a rede, tem-se acesso às informações dos mais diversos locais e os portais, por exemplo, buscam as trabalhar para atender a maior audiência possível. Então, os jornalistas de tais portais precisam noticiar assuntos a distância. Pois, seria financeiramente impossível manter jornalistas por todo um Estado, País e, porque não, planeta. Como eles trabalham a informação a distância, são obrigados a contar com fontes como as agências de notícias, veículos locais, entrevistas por telefone. Assim, o jornalista estará, raramente, próximo ao fato para fazer uma cobertura jornalística.

O caso é que pessoas, não jornalistas, tem alimentado a Web com informações do cotidiano, através de seus blogs. Ocorrências próximas ao seu cotidiano e, por sua proximidade, com muitos mais aspectos a serem vistos do que o jornalista da redação online, que se obriga a aguardar pelas informações vindas das agências ou já trabalhadas pelos veículos locais. Ou seja, no jargão jornalístico, “recozinham” a matéria.

Essa prática ainda é pouco vista no Brasil, mas no mundo já existe previsões para o fim da função de jornalista. Como podem ser vistos nessa postagem feita pela Gabi que inspirou esse texto.

Mas, vejo uma grande saída para os jornalistas e, ainda, com um grande ganho social. Como é de conhecimento da maioria, o maior ponto de tensão entre os veículos de comunicação e o público é o que ele quer saber e o que a imprensa que fazer saber. Os jornalistas, muitas vezes, culpam que estão atrelados às linhas editoriais das empresas jornalísticas e que se não a seguirem podem até acabar desempregados.

Por isso, me pergunto por que os jornalistas não produzem tais blogs independentes? Por que eles mesmos não vão atrás das notícias que desejam abordar, por sua própria conta, e escrevem livres de tais linhas editoriais. No momento em que um jornalista passa a produzir tal espaço, ele poderá contornar uma outra grande queixa do público que é o espaço para o cidadão na imprensa. Num blog, o jornalista poderá contar com os espaços destinados aos comentários para ter o feedback o público e passar a tomá-los como sugestões pra novas pautas.

Porém, há uma outra questão que é a remuneração de jornalistas que passassem a tentar ganhar a vida com esse fim social. Uma da prerrogativas para o sucesso do blog seria o fato de ele estar só e, por isso, seria a visão de um único jornalista. Mas, nesse ponto seria como o cidadão comum, que passa a sua visão. O jornalista teria a vantagem dos conhecimentos necessários para a produção de uma matéria e iria se diferenciar por isso, podendo garantir sua audiência e, conseqüentemente, maior comercialização dos espaços publicitários. Para não ser um meio de única visão, ele poderia trabalhar em conjunto com outros profissionais no mesmo espaço. Mas, isso não me preocuparia, já que vejo que tais blogs seriam construídos de forma colaborativa, ao se abrir espaço para o público.

Quanto aos especialistas que mantém seus blogs, vejo que os jornalistas têm uma grande vantagem, mesmo nos veículos tradicionais. Eles podem buscar várias fontes e as cruzar, o que dificilmente será feito por um especialista. Pois, ele não irá se preocupar em buscar outras fontes para sustentar seus textos. Por mais especialista que seja num assunto, uma única visão frente a um fato é um caminho perigoso para quem busca a verdade. Vejo que, nesse aspecto, os jornalistas estariam mais credenciados frente ao público que busca informações.

O grande filão que os jornalista têm em produzir tais blogs é seu conhecimento em lidar com fontes. Ao se moldarem rumo a uma imprensa mais sociável, eles poderão continuar tranqüilos que seu espaço estará garantido.

Os jornalistas também são cidadãos, então que mal tem eles praticarem o jornalismo Cidadão? Por isso, vejo que com tais possibilidades na Web, poderíamos afirmar que cada jornalista pode ser um veículo de Comunicação Social.

e-monografia: produção científica colaborativa

A organização das anotações das leituras para quem esta produzindo algum texto científico é sempre algo essencial para o trabalho, visto a quantidade de livros e artigos que são necessários serem estudados.

O caso é que havia resolvido fazer minhas postagens sobre os artigos que estou lendo e as  relacionar com tags, como a tag conversação, para que depois eu mesmo possa fazer uma rápida pesquisa dos autores do referencial teórico. Por isso, minhas postagens poderão ser um tanto científicas e chatas. :p

Ontem, discutia com a Gabi o que ela achava de eu criar a categoria e-monografia no blog. Uma categoria que iria linkar todas as postagens da monografia que estou me preparando para escrever para a especialização. Ela só não me disse que seria legal, como me deu a dica de um projeto de uma monografia online. Hoje, ela me passou o link.

A aluna de Comunicação, Louise Martins, da UERJ criou um blog específico para seu trabalho.

No primeiro post do blog, ela justifica que criou o espaço para convidar os atores do seu tema a participarem através do espaço de comentários, colaborando com a construção de sua produção textual. A Louise diz que seu tema tem pouco referencial teórico e por isso veio a tomar tal iniciativa. Ela usa o termo monografia colaborativa.

O fato é que parece que ela pode mesmo conseguir tal façanha. Pois, como pode ser visto nos comentários de uma das postagens, a estudante já está recebendo a colaboração de uma pesquisadora (Raquel de novo) de onde pode encontrar referências.

O legal dessa idéia da Louise é que ela poderá contar mais do que com isso. Alguns temas que ela venha a ter dúvidas podem ser esclarecidos por  visitantes nos comentários. Assim como o próprio orientador que poderá fazer suas anotações também nos comentários das postagens.

Me questiono das vantagens que teríamos numa monografia totalmente online sobre algum tema que envolva a Internet. Falo do texto final com hipertexto: onde os exemplos do autor poderiam ser acessados no momento da leitura, facilitando a compreensão; as análises serem comprovadas, ao se seguir o mesmo caminho da metodologia proposta; as referências bibliográficas disponíveis na rede, podendo ser acessadas a qualquer momento; e, as monografias online estarem sendo linkadas umas às outras.

Acredito que a Louise será feliz em sua idéia, abrindo¹ uma lacuna interessante para ser aproveitada na academia. Mesmo àqueles que não desejassem tornar público seus textos ou orientadores que não gostariam de expor seu trabalho dessa forma, poderiam criar espaços privados e aproveitarem tais facilidades da rede. Mas, no caso dos alunos, estariam perdendo uma grande colaboração, como parece que a Louise conseguirá.

Vejo então mais um uso dado aos blogs que parecem ter apropriações diferenciadas a cada dia. Felizmente, de forma cada vez mais colaborativa. Quem sabe eu não faça uma e-dissertação no mestrado :p

¹Busquei no Google por “e-monografia”, “e-tcc”, “e-tese” e não encontrei nada. Procurei por “monografia colaborativa” e só encontrei links associados à idéia da Louise. Por isso, considerei sua idéia pioneira nessa postagem.

Conversação na Web é possível

Os blogs são espaços de sociabilidade e possibilitam a conversação entre leitores e blogueiros? Para quem ainda tem dúvida, sugiro mais um artigo lá do Wiki da Raquel. O texto “Blogs como espaços de conversação: Interações conversacionais na comunidade de blogs insanus” de Alex Primo e Ana Maria Reczek Smaniotto que traz bons argumentos para sustentar que os blogs são verdadeiros espaços democráticos de debates entre os internautas que os integram.

O interessante do artigo é que Primo e Reczek iniciam apresentando conceitos de autores que nos levariam a acreditar que a conversação só seria possível em interações síncronas.  Como Goffman que diz que só há a conversação nos espaços basicamente orais. Ou seja, a simultaneidade na interação se torna necessária para que haja conversação.

A Análise da Conversação dedica-se às interações orais com identidade temporal, já que “a conversação, mesmo que se dê em espaços diversos (no caso da conversação telefônica), deve ocorrer durante o mesmo tempo” (Marcuschi, 2001, p. 6). Com esse intuito, dá grande ênfase aos procedimentos de registro (gravação e transcrição) das interações espontâneas em situações cotidianas5 (Charaudeau e Maingueneau, 2004). (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 3)

Se considerássemos tal afirmação do autor, estaríamos desconsiderando qualquer possibilidade de conversação na Internet.

Um outro conceito citado pelos autores do artigo que me levou a compreender um pouco mais sobre quando há ou não conversação numa interação é de Simmen. Para o autor, a conversação deixa de ser sociável quando passa a ter um caráter de busca de objetivos. Nesse caso, a busca seria a confirmação de verdades. Na conversação, a busca gira em torno de se manter a relação.

O autor vai estudá-la como uma forma pura de sociabilidade, em que a fala é um fim em si mesmo. O conteúdo é um condutor indispensável daquela estimulação. Isso não quer dizer que ele seja irrelevante, já que o conteúdo precisa ser interessante e mesmo significativo. A diferença é que não se está buscando resultados objetivos, o que cairia fora da conversação. Assim que a discussão ganhe um tom administrativo, de negócios, ela deixa de ser sociável, tendo como foco a confirmação de verdades. Já na conversação, o fato de algo dito ser aceito não é um fim em si, mas uma forma de manter a vivacidade da relação, o entendimento mútuo e o sentimento de grupo. (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 2)

Então, para que haja conversação é necessário que os interagentes se esforcem em manter a conversa. Isso é como numa interação presencial, que para se ter conversação é necessário que os dois busquem tal mutualidade. A reciprocidade na interação se torna essencial para o diálogo e seu conteúdo de interesse dos participantes. Lembro de um exemplo do próprio Alex durante uma aula. Imagine esse diálogo entre duas pessoas.

-       Bom dia!

-       Como bom dia? Só se for pra você, comigo está tudo péssimo.

Então, não houve esforço nenhum do segundo interagente em manter um diálogo. A simples resposta dele, totalmente inesperada, acaba por eliminar a possibilidade de início de uma conversação.

Esse aspecto da troca na conversação mostra que em muitos espaços de comentários que vimos nos blogs não há tal diálogo. Pois, as vezes eles são desconexos e o autor do blog não chega a desenvolver um interesse de sociabilidade. Isso me faz pensar nos comentários dos sites jornalísticos, já que a maioria dos participantes comentam sua opinião frente à notícia, mas raramente voltam para ver o que outros estão comentando. O jornalista também não responde os comentários, o que seria uma ótima forma de sociabilidade. Apenas me pergunto se isso pode ser considerado de cunho social, pois pelo o que entendi do conceito de Simmel, isso estaria se encaixando melhor numa conversa administrativa, em que a busca pela mutualidade não aparece.

Os autores do artigo recorrem a Herring para justificar que a conversação só não é possível entre duas pessoas, como pode se estender entre outros. Como numa sala de chat ou na blogosfera.

Herring (1999), por outro lado, aponta que as violações na coerência seqüencial são a regra e não a excessão na comunicação mediada por computador. Mensagens contectadas entre si, são com frequência separadas por muitas outras intervenientes. Conversações online em salas de bate-papo podem parecer caóticas para iniciantes. Porém, dois participantes podem estar trocando mensagens entre si, sem mesmo levar em conta o que os outros estão dizendo. (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 4)

Primo e Reczeck chegam a salientar alguns aspectos da autora que poderiam dificultar a conversação, mas o que se percebe é que os internautas se apropriam da tecnologia de tal forma que acabam por gerar novas formas de conversação humana.

Quanto à pesquisa na comunidade de blogs insanus, eles trazem alguns exemplos interessantes, alguns cômicos, que mostram claramente a conversação. Baseiam-se em Efimoca e Moor para justificar o motivo de haver conversação nos blogs.

Os autores definem conversações em blogs como “a series of interrelated (interlinked) weblog posts and comments on a specific topic, usually not planned, but emerging spontaneously” (p. 1). A conversação em blogs ocorre quando um post motiva o feedback de outros internautas. (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 4)

Há diversos outros aspectos apresentados no artigo que levam a entender como se dá a conversação nos blogs. Tanto que chegam a apresentar um exemplo que mostra a possibilidade de conversação com o “self”.

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