Vídeo de Lee LeFever bem divertido que explica de forma simples e básica de como um Wiki pode contribuir para o planejamento de ações em grupo.
Outros vídeos de LeFever que explicam serviços da web aqui!
Vi no Plurk da Karinex!
Comunicação e Informação na Internet
O Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulgou o edital de seleção para a turma de 2009. As inscrições para os futuros candidatos abrem dia 25 de agosto e vão até 24 de outubro de 2008, mas para quem desejar já dar início aos estudos preparatórios, todo o processo de seleção e, inclusive, a bibliografia para a prova escrita já foram divulgados.
O programa possui duas linhas de pesquisa que são: Informação, Tecnologia e Práticas Sociais; e, Comunicação, Representação e Práticas Culturais.
Boa preparação e boa sorte para quem se candidatar
Como disse a Maria Clara na postagem dela, “depois que (se) eu casar, SE eu tiver filhos eles estudarão aqui“.

Muito legal a proposta desta escola que mantém uma parceria com a Apple oferecendo um MacBook a cada aluno.
Isso me lembrou de uma outra postagem que li há algum tempo, em que o Pellanda comentava uma notícia do G1 sobre a sala de aula do futuro e algumas questões de vigilância. Nesta postagem ele fala, também, do Apple Remote Desktop* que usa no laboratório para controlar o conteúdo dos alunos. Esta escola poderá usar este mesmo sistema da Apple.

Vale ler a postagem da mc que mostra algumas da práticas dos alunos do D’Incao Ensino Médio e a postagem do Pellanda para quem deseja conhecer uma das plataformas para uso em salas de aula.
Vejo apenas um problema nas práticas mostradas pela Maria Clara. O aluno desta escola pode ser influenciado a estudar Comunicação. Mas, isto é problema para os psicólogos e seus testes de aptidão.
Vi lá no GJOL que a UFSC divulgou o edital de seleção para a turma de 2008 de Mestrado em Jornalismo. Esta será a segunda turma do programa que teve sua primeira seleção no ano passado. Lembro de ler que esse era o único mestrado em Jornalismo no Brasil.
Veja abaixo as duas linhas de pesquisa do programa:
Estudo dos pressupostos teóricos, princípios filosóficos, condicionantes e desdobramentos do jornalismo desde a modernidade. Privilegia-se nesta linha a observação do jornalismo como fenômeno específico dentro das sociedades complexas, com o objetivo de investigar sua fundamentação epistemológica e suas múltiplas dimensões conceituais. Considerando diferentes contextos espaciotemporais, a linha localiza o jornalismo em suas configurações como processo histórico e político, prática social, exercício ético e estético, mediação cultural, estratégia comunicativa, gênero de discurso e produção de conhecimento.
Estudos sobre o funcionamento do jornalismo a partir da análise de seus produtos e de seus processos de produção, com ênfase para as profundas mudanças porque passa a prática do jornalismo em decorrência da disseminação das Tecnologias da Informação e da Comunicação nas sociedades contemporâneas. Esta linha comporta pesquisas sobre os gêneros, formatos, conteúdos, linguagens, técnicas e tecnologias jornalísticas, assim como das organizações, políticas editoriais, rotinas, estratégias e mediações relacionadas aos seus processos de produção.
Quando estava preparando este blog, chegou um momento de sua configuração na plataforma WordPress em que tive de optar pelas questões de moderação de comentários. Tive dúvida de qual opção deveria escolher: a) deixar os comentários livres, sem qualquer tipo de moderação; b) moderar parcialmente, em que o autor do comentário precisaria ter um comentário previamente autorizado e depois poderia comentar sempre; e c) moderar sempre, em que todos os comentários deveriam ser autorizados, indiferente se o comentarista já havia sido moderado antes.
A minha escolha inicial foi a segunda, em que o autor deveria ser moderado uma única vez e liberar seu e-mail para futuros comentários. Optei por essa alternativa por dois motivos: evitar spams; e, principalmente, para ter conhecimento das pessoas que viriam a comentar. Isso tomando por base de que ninguém iria criar um e-mail falso para comentar. Por mais que saiba que existem fakes pela rede, não possuo uma audiência para tal preocupação.
Acontece que comento em blogs há alguns anos e tenho percebido que alguns seguem a mesma linha que eu escolhi, mas que há outros que você precisa ter todos os comentários moderados, indiferente se já havia feito um anterior que tivesse sido autorizado. Importante ressaltar que a maioria dos blogs não têm nenhum tipo de moderação, a não ser a necessidade de informar o e-mail que parece ser padrão da maioria dos blogueiros [acredito ser pela a mesma necessidade que tenho de saber com quem se está falando].
O fato é que essa questão dos comentários serem sempre moderados dificultam a conversação entre os comentaristas dos blogs. Por exemplo, você faz um comentário num post e outros os vão fazendo enquanto o autor do blog não está acompanhando. Então, quando o autor acessa a plataforma do seu blog irá autorizar todos os comentários [ou não] ao mesmo tempo e isso irá dificultar [praticamente impossibilitar] a relação de interação entre os visitantes do referido blog. Os comentários terão a possibilidade de se relacionar apenas com a postagem e interagir com o autor.
Vejo que o autor do blog perde um grande potencial ao moderar os comentários por completo. Pois, já vi e participei de muitos debates surgidos nas caixas de comentários de alguns blogs. Muitas vezes, os debates tomam um foco totalmente diferente do próprio tema do post, mas fica claro a sua importância e contribuição para o debate público.
Estou pensando em liberar totalmente a moderação de comentários do Web Research, mesmo que por enquanto seja necessário ter um único comentário aprovado para continuar comentando. Poderei continuar solicitando o nome e e-mail para saber quem está comentando, apagar os spams e lidar politicamente com os fakes, se surgirem.
Na verdade, nem deveria me preocupar tanto com isso com a audiência que tenho, mas a minha percepção veio de um outro blog que leio, de excelentes postagens, muitas vezes polêmicas, que dariam combustível pra bons debates. Acho que esse autor pode estar perdendo um espaço para discussão e evolução dos temas abordados em suas postagens.
Semanas atrás, fiz três postagens em cima de artigos que li sobre conversação através dos comentários que podem ser interessantes para quem deseja ler sobre possibilidades de interação e discussão existentes nos blogs. Os posts são “Conversação na Web é possível”, “Comentários possibilitam conversação” e “Comentários ocupam 30% da blogosfera“. Os três têm referências de alguns autores. Porém, nem todo o espaço de comentário irá gerar debates. A minha opinião de um dos motivos disso pode ser lida no post “Não Concordo” que publiquei em meu blog anterior.
A Zero Hora (ZH) do último domingo trouxe uma reportagem especial sobre o que falta para que o Rio Grande do Sul forme o seu Vale do Silício. A reportagem diz que para os gaúchos entrarem no mundo da alta tecnologia é preciso que o Governo, o Empresariado e a Universidade possuam maior integração. Mas, nesses três aspectos, o que mais me chamou a atenção foram os pontos que devem ser trabalhados para que o estado atraia pessoas criativas que, segundo a ZH, é o perfil do profissional necessário para essa indústria.
Além de bons indicadores de segurança e educação, o local deve ter cultura em abundância. Acesso a cinema, teatro, música, restaurantes, casas noturnas é importante para atrair pessoas criativas – primordial na nova indústria. (ZH, 06mar08, p. 31)
Muito se discute na blogosfera sobre o perfil do futuro profissional de comunicação e de como irão se desencadear profissões como a de jornalismo. Deixando a discussão de lado, até por uma certa exaustão do tema, vejo nessa reportagem a necessidade que os atuais acadêmicos têm em se diferenciar cada vez mais. Lembro do quanto alguns professores da graduação já buscavam novidades para que tomássemos conhecimento das últimas tecnologias e de quanto deveríamos ser criativos.
A ZH levanta a questão de que para atrair tais profissionais são necessários aspectos um tanto “pós-modernos”, como cinemas, restaurantes e casas noturnas. Isso porque os profissionais do futuro estão cada vez mais descolados e necessitam consumir cultura. A questão é bem interessante, pois traz a tona o velho aspecto da educação, porém não mais a simples disponibilidade de escolas e universidades, mas sim temas voltados diretamente a cultura e à sua manutenção na sociedade.
Acho que ainda levará um bom tempo para que toda essa infra-estrutura cultural necessária se estabeleça por aqui, pois é necessário mais que cinemas e restaurantes em abundância. Vejo o Rio Grande do Sul como um dos estados mais ricos em cultura do Brasil, mas é preciso que o gaúcho se conscientize que precisa melhorar ainda mais seu modo de ver o mundo se deseja acompanhar os povos mais avançados. Deve-se deixar de lado o egocentrismo de que possuímos cultura enquanto é de alcance, ainda, de uma pequena “elite cultural”. É preciso olharmos para o nosso próprio povo para que possamos desenvolver o nosso estado culturalmente à mediada de não precisarmos nos preocuparmos em atrair profissionais criativos, pois aqui o teremos.
A TV surgiu há pouco mais de 50 anos e lembro de alguns professores comentarem, durante a graduação, que o aparelho chegou a ser visto como uma solução para o analfabetismo no Brasil. A referência é feita porque há diversas possibilidades que estão sendo vistas na Internet, crenças de socializar a informação, estimular o senso critico, entre tantas outras formas de manifestações. No entanto, acredito que deve ser feita uma reflexão quanto ao seu uso pela sociedade e, principalmente, pelos universitários.
Mesmo que a TV tenha sucesso em alguns programas e canais que lidam com ensino, ela está longe das expectativas de resolver o problema da educação no mundo. Percebo que isso foi, também, por interesses capitalistas de estímulo ao consumo. Os canais de TV perceberam um caminho rentável na indústria do entretenimento. Por isso vemos tantos programas de diversão como as novelas, os reality shows, jogos, entre outros que não somam como poderiam contribuir programas culturais. Não que o entretenimento deva ser extinto da Web, mas a verdade é que, assim como a vida não é só trabalho, ela não é só diversão.
A Internet também pode estar tendo um mal uso pelos jovens muito exclusivo ao divertimento. Então, todas essas possibilidades de desenvolvimento cultural, do senso crítico e social, podem estar tomando o mesmo caminho da TV e acabar por não passar de mais um mídia de distração.
Obviamente que essa comparação parece um tanto absurda, pois eu mesmo escrevo aqui nesse blog de tantas possibilidades que já podem ser vistas no uso da Internet em prol da sociedade. Parece até um paradoxo, mas o fato é que também há um grande número de jovens que pouco se interessam por esse desenvolvimento e passam horas nos programas de chat e em sites de relacionamento como o Orkut deixando todo o resto de lado.
A questão me preocupa porque vejo e ouço muito falar de alunos, nas faculdades, e estagiários, em veículos de comunicação, tentando burlar os sistemas de supervisão de conteúdo para acessar sites de relacionamento e programas de chat, durante períodos que não deveriam ser destinados à diversão e sim ao trabalho ou estudo.
Na verdade, penso que tais supervisores de conteúdo nem deveriam ser necessários, pois os alunos e estagiários ideais estariam preocupados, ressalto – no momento de trabalho ou estudo – com seu desenvolvimento profissional ou acadêmico.
Acho que deve haver um equilíbrio e que podemos aproveitar as possibilidades da Web para todos os fins, tanto diversão como, principalmente, desenvolvimento humano.
Então, seguindo a linha do nome da comunidade do Orkut “Saia do Orkut e vá ler um livro”, da campanha feita pela MTV “Desligue a TV e vá ler um livro“ e, ainda, de uma postagem de André Deak, repito a mesma frase citada por ele de uma campanha de Roberto Taddei:
“TROQUE SEU ORKUT POR UM BLOG”
Os alunos, em especial os de Comunicação, poderiam aproveitar mais o seu tempo na universidade para aprimorarem seus textos, discutirem temas relevantes com outros acadêmicos de universidades distantes ou da sua própria escola. Os estagiários deveriam aproveitar o seu tempo no estágio para tomar conhecimento do maior número de tarefas possíveis, criarem uma rede de contatos [profissionais e não festivos].
Enfim, acho que deve ser feita uma reflexão em todos os níveis, pois também vejo profissionais experientes cometendo os mesmos erros. A Internet pode ser um caminho construtivo, mas não deixe a sua carreira ser prejudicada por ela.
O artigo “Leave a Reply: An Analysis of Weblog Comments”, de autoria de Gilad Mishne e Natalie Glance, traz resultados de uma pesquisa com uma amostra gigantesca, em que trabalham muito as questões quantitativas dos comentários para suas analises. No texto é possível se ter uma boa dimensão do espaço ocupado pelos comentários na blogosfera, que segundo a pesquisa atinge algo acima de 30%.
Através de uma minuciosa explicação dos comentários nos blogs, o texto faz uma interessante relação entre os comentários e a popularidade dos blogs, utilizando-se de ferramentas como o Sitemeter para sua pesquisa.
Mas, também salienta as disputas nos comentários que geram controvérsias estimulando o debate. Chegam a identificar os principais tópicos do debate, entre eles, Iraque , Casa Branca, Constituição, Suprema Corte, etc.
One class of comments we found particularly interesting was the set of disputative comments, comments which disagree with the blogger (or with other commenters), forming an online debate. We hypothesized that these comments can be used to identify controversial topics, authors, newspaper articles, and so on. (P. 6)
Essa questão, em particular, também me desperta interesse, já que surge uma conversação entre esses blogueiros que procuram seu espaço. O apontamento dos principais tópicos, como foi feito, leva-me a pensar se não seria interessante tal metodologia para se estudar a conversação na rede, identificar os principais tópicos e ver se os comentários têm ligação. Mas, não numa amostra do tamanho desse artigo, seria algo humanamente impossível.
A organização das anotações das leituras para quem esta produzindo algum texto científico é sempre algo essencial para o trabalho, visto a quantidade de livros e artigos que são necessários serem estudados.
O caso é que havia resolvido fazer minhas postagens sobre os artigos que estou lendo e as relacionar com tags, como a tag conversação, para que depois eu mesmo possa fazer uma rápida pesquisa dos autores do referencial teórico. Por isso, minhas postagens poderão ser um tanto científicas e chatas. :p
Ontem, discutia com a Gabi o que ela achava de eu criar a categoria e-monografia no blog. Uma categoria que iria linkar todas as postagens da monografia que estou me preparando para escrever para a especialização. Ela só não me disse que seria legal, como me deu a dica de um projeto de uma monografia online. Hoje, ela me passou o link.
A aluna de Comunicação, Louise Martins, da UERJ criou um blog específico para seu trabalho.
No primeiro post do blog, ela justifica que criou o espaço para convidar os atores do seu tema a participarem através do espaço de comentários, colaborando com a construção de sua produção textual. A Louise diz que seu tema tem pouco referencial teórico e por isso veio a tomar tal iniciativa. Ela usa o termo monografia colaborativa.
O fato é que parece que ela pode mesmo conseguir tal façanha. Pois, como pode ser visto nos comentários de uma das postagens, a estudante já está recebendo a colaboração de uma pesquisadora (Raquel de novo) de onde pode encontrar referências.
O legal dessa idéia da Louise é que ela poderá contar mais do que com isso. Alguns temas que ela venha a ter dúvidas podem ser esclarecidos por visitantes nos comentários. Assim como o próprio orientador que poderá fazer suas anotações também nos comentários das postagens.
Me questiono das vantagens que teríamos numa monografia totalmente online sobre algum tema que envolva a Internet. Falo do texto final com hipertexto: onde os exemplos do autor poderiam ser acessados no momento da leitura, facilitando a compreensão; as análises serem comprovadas, ao se seguir o mesmo caminho da metodologia proposta; as referências bibliográficas disponíveis na rede, podendo ser acessadas a qualquer momento; e, as monografias online estarem sendo linkadas umas às outras.
Acredito que a Louise será feliz em sua idéia, abrindo¹ uma lacuna interessante para ser aproveitada na academia. Mesmo àqueles que não desejassem tornar público seus textos ou orientadores que não gostariam de expor seu trabalho dessa forma, poderiam criar espaços privados e aproveitarem tais facilidades da rede. Mas, no caso dos alunos, estariam perdendo uma grande colaboração, como parece que a Louise conseguirá.
Vejo então mais um uso dado aos blogs que parecem ter apropriações diferenciadas a cada dia. Felizmente, de forma cada vez mais colaborativa. Quem sabe eu não faça uma e-dissertação no mestrado :p
¹Busquei no Google por “e-monografia”, “e-tcc”, “e-tese” e não encontrei nada. Procurei por “monografia colaborativa” e só encontrei links associados à idéia da Louise. Por isso, considerei sua idéia pioneira nessa postagem.
Os blogs são espaços de sociabilidade e possibilitam a conversação entre leitores e blogueiros? Para quem ainda tem dúvida, sugiro mais um artigo lá do Wiki da Raquel. O texto “Blogs como espaços de conversação: Interações conversacionais na comunidade de blogs insanus” de Alex Primo e Ana Maria Reczek Smaniotto que traz bons argumentos para sustentar que os blogs são verdadeiros espaços democráticos de debates entre os internautas que os integram.
O interessante do artigo é que Primo e Reczek iniciam apresentando conceitos de autores que nos levariam a acreditar que a conversação só seria possível em interações síncronas. Como Goffman que diz que só há a conversação nos espaços basicamente orais. Ou seja, a simultaneidade na interação se torna necessária para que haja conversação.
A Análise da Conversação dedica-se às interações orais com identidade temporal, já que “a conversação, mesmo que se dê em espaços diversos (no caso da conversação telefônica), deve ocorrer durante o mesmo tempo” (Marcuschi, 2001, p. 6). Com esse intuito, dá grande ênfase aos procedimentos de registro (gravação e transcrição) das interações espontâneas em situações cotidianas5 (Charaudeau e Maingueneau, 2004). (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 3)
Se considerássemos tal afirmação do autor, estaríamos desconsiderando qualquer possibilidade de conversação na Internet.
Um outro conceito citado pelos autores do artigo que me levou a compreender um pouco mais sobre quando há ou não conversação numa interação é de Simmen. Para o autor, a conversação deixa de ser sociável quando passa a ter um caráter de busca de objetivos. Nesse caso, a busca seria a confirmação de verdades. Na conversação, a busca gira em torno de se manter a relação.
O autor vai estudá-la como uma forma pura de sociabilidade, em que a fala é um fim em si mesmo. O conteúdo é um condutor indispensável daquela estimulação. Isso não quer dizer que ele seja irrelevante, já que o conteúdo precisa ser interessante e mesmo significativo. A diferença é que não se está buscando resultados objetivos, o que cairia fora da conversação. Assim que a discussão ganhe um tom administrativo, de negócios, ela deixa de ser sociável, tendo como foco a confirmação de verdades. Já na conversação, o fato de algo dito ser aceito não é um fim em si, mas uma forma de manter a vivacidade da relação, o entendimento mútuo e o sentimento de grupo. (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 2)
Então, para que haja conversação é necessário que os interagentes se esforcem em manter a conversa. Isso é como numa interação presencial, que para se ter conversação é necessário que os dois busquem tal mutualidade. A reciprocidade na interação se torna essencial para o diálogo e seu conteúdo de interesse dos participantes. Lembro de um exemplo do próprio Alex durante uma aula. Imagine esse diálogo entre duas pessoas.
- Bom dia!
- Como bom dia? Só se for pra você, comigo está tudo péssimo.
Então, não houve esforço nenhum do segundo interagente em manter um diálogo. A simples resposta dele, totalmente inesperada, acaba por eliminar a possibilidade de início de uma conversação.
Esse aspecto da troca na conversação mostra que em muitos espaços de comentários que vimos nos blogs não há tal diálogo. Pois, as vezes eles são desconexos e o autor do blog não chega a desenvolver um interesse de sociabilidade. Isso me faz pensar nos comentários dos sites jornalísticos, já que a maioria dos participantes comentam sua opinião frente à notícia, mas raramente voltam para ver o que outros estão comentando. O jornalista também não responde os comentários, o que seria uma ótima forma de sociabilidade. Apenas me pergunto se isso pode ser considerado de cunho social, pois pelo o que entendi do conceito de Simmel, isso estaria se encaixando melhor numa conversa administrativa, em que a busca pela mutualidade não aparece.
Os autores do artigo recorrem a Herring para justificar que a conversação só não é possível entre duas pessoas, como pode se estender entre outros. Como numa sala de chat ou na blogosfera.
Herring (1999), por outro lado, aponta que as violações na coerência seqüencial são a regra e não a excessão na comunicação mediada por computador. Mensagens contectadas entre si, são com frequência separadas por muitas outras intervenientes. Conversações online em salas de bate-papo podem parecer caóticas para iniciantes. Porém, dois participantes podem estar trocando mensagens entre si, sem mesmo levar em conta o que os outros estão dizendo. (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 4)
Primo e Reczeck chegam a salientar alguns aspectos da autora que poderiam dificultar a conversação, mas o que se percebe é que os internautas se apropriam da tecnologia de tal forma que acabam por gerar novas formas de conversação humana.
Quanto à pesquisa na comunidade de blogs insanus, eles trazem alguns exemplos interessantes, alguns cômicos, que mostram claramente a conversação. Baseiam-se em Efimoca e Moor para justificar o motivo de haver conversação nos blogs.
Os autores definem conversações em blogs como “a series of interrelated (interlinked) weblog posts and comments on a specific topic, usually not planned, but emerging spontaneously” (p. 1). A conversação em blogs ocorre quando um post motiva o feedback de outros internautas. (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 4)
Há diversos outros aspectos apresentados no artigo que levam a entender como se dá a conversação nos blogs. Tanto que chegam a apresentar um exemplo que mostra a possibilidade de conversação com o “self”.
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