O “desserviço” do jornalista

Alunos de jornalismo precisam assistir esta reportagem.

Indiferente de quem tem razão no acontecimento apresentado, se a culpa é dos bombeiros ou da prefeitura, a reportagem mostra como alguns jornalistas se esforçam para tornar o jornalismo unilateral.

A apresentadora perdeu a oportunidade de deixar o entrevistado falar e mostrar que no veículo de comunicação que trabalha há espaço para o diálogo, mesmo quando a opinião é contrária ao que acredita.

Notem o aparente desespero da repórter (5min10s) quando o entrevistado cita uma reportagem do Diário Popular que é um jornal impresso da região e concorrente da TV em questão. A jornalista faz ao entrevistado, cujo é secretário de desenvolvimento econômico de Pelotas, a seguinte pergunta: “Agora, eu só não entendo, se o senhor acha que o nosso jornalismo não é feito com seriedade, por que o senhor está aqui ocupando o seu tempo?”. O entrevistado responde o que ela parece não ter aprendido na faculdade: “Pela matéria que foi colocada, para esclarecer e não ficar unilateral”.

Minha crítica não é para o jornalismo em si, pois acredito muito no seu serviço à sociedade, mas para a falta de preparo de alguns profissionais. Ao não conseguir conduzir uma entrevista quando foge do script, a jornalista caracteriza o referido “desserviço” (4min5s) citado pelo entrevistado.

O desserviço não foi a reportagem do repórter Fernando Guimarães como colocado pelo entrevistado, mas sim a tentativa da apresentadora de não deixar o entrevistado falar a sua opinião frente ao acontecimento apresentado na reportagem. O desserviço foi ao jornalismo.

Assista abaixo a reportagem:

Clique para assistir a reportagem

Reportagem “Comerciantes do Mercado Público de Pelotas reclamam” na RBS TV

Estamos na era dos apps? Plataformas fechadas ameaçam o conceito de participação da Web 2.0

Leia mais sobre Tim Berners-Lee na Wikipedia

Berners-Lee criou web em 90

Recentemente, em artigo publicado na Scientific American, o criador da web Tim Berners-Lee defendeu as plataformas abertas e criticou a loja do iTunes e o Facebook por fragmentarem e centralizarem o conteúdo na Internet. Estará a web com seu conteúdo aberto na rede ameaçada por plataformas controladas em ambientes fechados como a Apps Store da Apple ou estará o pai da web cuidando do seu filho mais velho?

A partir do momento em que os conteúdos são distribuídos a partir de apps instaladas em dispositivos como iPhone, iPad e iPod, a Apple tem controle sobre as ferramentas de distribuição. Bem sabem os internautas que utilizam esses dispositivos móveis que utilizar aplicativos é a maneira mais usual para acessar informações na rede.

Visite a Aplle Apps StoreO problema é que muitos deles devem ser comprados e, mesmo aqueles gratuitos, exigem que o internauta possua uma conta na iTunes com um cartão de crédito válido. Ainda que haja maneiras de se criar contas sem o cartão com endereços falsos, essas são práticas que desrespeitam os termos de uso da Apple e que o internauta com conhecimento menos avançado não deve utilizar. Mesmo com a conta criada, ainda estão sujeitos à loja da Apple para adquirir os apps e aqui está o problema.

A informação distribuída está sobre controle de uma plataforma fechada, já que os apps devem seguir padrões da Apple para publicação na loja de aplicativos. Tenho estudado a construção de apps para os dispositivos da Apple e um dos primeiros pré-requisitos que me deparei foi a criação de uma conta no iOS Developer Program. Parece fácil, não? O problema é que a inscrição no programa custa 99 dólares… POR ANO. Fora isto, o conhecimento técnico dos protocolos de programação são bem avançados.

Como a migração para os dispositivos móveis que utilizam desses apps cresce visivelmente, os detentores do conhecimento para construção de aplicativos receberão um espaço privilegiado para a distribuição de conteúdo. Com isso, retornaríamos ao tempo da Web 1.0, quando a publicação e a distribuição do conteúdo estavam sujeitas ao conhecimento do script HTML.

Observem as apps existentes até o momento para a distribuição de conteúdo informativo e jornalístico para o iPad, lançado tardiamente hoje no Brasil, e notarão que apenas as grandes instituições jornalísticas possuem apps para este dispositivo.

Além de sujeitos às políticas de publicação de apps da Apple, apenas quem domina os meios e possui recursos para investir podem publicar aplicativos para a distribuição de informação nestes dispositivos. Isto realmente acontecerá?

A minha preocupação com essa geração de apps é associada com estes questionamentos e também por ter iniciado os testes com o novo navegador que integra as redes sociais, RockMelt, e observar que surge o espaço para apps também nos navegadores. A tendência do uso de apps também pode ser observada no Facebook, outra plataforma fechada que possui sua base de dados restrita à empresa. Aliás, o Facebook parece ser o maior parceio do RockMelt, visto que as funcionalidades das apps já disponíveis são realmente inovadoras para este site de rede social. Claro que não fica claro qual será a tendência desses espaços, por enquanto surgem apenas para a inclusão de feeds, mas fica clara a interface voltada para apps e para o Facebook.

Não quero afirmar como Berners-Lee que as plataformas abertas da web correm risco e que a democratização das ferramentas de produção e de distribuição como apontada por Anderson em seu livro A Cauda Longa está com os dias contados. Agora, certamente é tempo de se repensar o poder dado às grandes organizações como Facebook e Apple ao deixar-se que controlem os dados compartilhados pelos internautas.

Se o conteúdo distribuído na rede ficar sujeito aos apps controlados por poucas organizações, teríamos um retrocesso no que toca os conceitos da Web 2.0 como a participação na construção do que é publicado. Estaríamos retornando aos tempos em que precisamos baixar e instalar apps softwares em nossos dispositivos? A web como plataforma está em risco com essas novas práticas de navegação na Internet?

As respostas a todas essas perguntas só poderão ser dadas com o tempo, mas particularmente penso que dificilmente voltaremos a tempos em que poucos tinham a possibilidade de difundir informação. Por outro lado, mais uma vez presenciamos uma mudança de paradigma na rede que pode ditar a forma como consumimos e compartilhamos conteúdo na Internet.

Flash Mob Publicitário

A Brastemp criou de forma genial o que passo a denominar como Flash Mob Publicitário. Ao gerar uma rede de sorrisos no caótico trânsito da cidade de São Paulo, a empresa uniu 11 estações de rádio para divulgar sua marca. A campanha fez tanto sucesso que virou Trending Topic no Twitter nesta sexta-feira. Achei ótima a estratégia da mídia que literalmente tirou de um problema uma grande oportunidade. Assista ao vídeo e dê um sorriso também para esta ótima ação de marketing.

Blog Dossiê Alex Primo

A partir de hoje, passo a colaborar no blog do meu orientador do doutorado Alex Primo. Com uma postagem por semana, analisarei os temas que movimentam as conversas na rede. Essa é uma das atividades que me comprometi para este ano, assim como retomar também as postagens aqui em meu blog com maior frequência.

O endereço do blog que passo a colaborar é http://alexprimo.com e espero vocês por lá.

Defesa de dissertação de mestrado sobre conversações online nos comentários de blogs

Na próxima sexta-feira (05/03) às 9h no PPGCOM da UFRGS defendo a minha dissertação de mestrado. O trabalho leva o título “INTERAÇÕES DIALÓGICAS NOS COMENTÁRIOS DE BLOGS: conversações online nos blogs Melhores do Mundo, Interney e Pensar Enlouquece” e foi orientado pelo Prof. Dr. Alex Primo.

A banca examinadora é composta pelos professores:

Desde já, antecipo agradecimentos a todas as pessoas que me ajudaram nessa pesquisa. Após feitas as modificações indicadas pela banca, o trabalho será disponibilizado na íntegra para acesso online.

X Seminário Internacional da Comunicação com presença de Michel Maffesoli e Muniz Sodré

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Inscrições vão até dia 29 de outubro

Ao longo da próxima semana, ocorre na PUCRS a décima edição do Seminário Internacional da Comunicação em Porto Alegre. O evento contará com a participação de renomados palestrantes que escrevem sobre o tema no Brasil e no mundo, como  André Lemos (UFBA), Federico Casalegno (MIT/EUA), Jean-Martin Rabot (Universidade do Minho) , Michel Maffesoli (Sorbonne Paris V), Muniz Sodré (UFRJ), Patrick Tacussel (Montpellier III), entre outros.

Os participantes do evento podem assistir ainda os 10 Grupos de Trabalhos (GTs), onde pesquisadores apresentam os resultados de suas pesquisas. A oportunidade é importante para a troca de experiência em métodos, tomar-se conhecimento de textos e de autores e para conhecer-se os temas de pesquisa que estão em pauta na área da Comunicação. Nos GTs, vários doutorandos e mestrandos do PPGCOM da UFRGS apresentam seus trabalhos.

inscrição para o evento pode ser efetuada até quinta-feira (29/10) ao custo de R$ 70 para estudantes e R$ 90 para o público em geral. Para professores e alunos da PUCRS o investimento é de R$ 50.

A programação dos GTs foi divulgada ontem com os dias das apresentações, bem como confirmada a programação das palestras do evento.

Para os que não puderem vir a Porto Alegre para participar do evento, já é comum a cobertura colaborativa de eventos da Comunicação através de mídias sociais como o Twitter, onde são feitos comentários e disponibilizado streaming de áudio e vídeo. Aqueles que já estão no Google Wave, podem procurar pela Wave Cibercultura, que certamente encontrará comentários e discussões das palestras e das apresentações nos GTs.

Os alunos da graduação em comunicação da Famecos da PUCRS também costumam fazer ótimas coberturas online dos eventos da universidade através do espaço Cyberfam.

Convite para qualificação de projeto de dissertação sobre conversações online

Imagem6No mestrado pesquiso a experiência conversacional dos interagentes nos comentários dos blogs e na próxima sexta-feira (25/09), às 9h30min, no PPGCOM da UFRGS, presto a qualificação do meu projeto de dissertação “CONVERSAÇÕES ONLINE: as interações dialógicas nos comentários de blogs“.

A qualificação é aberta ao público e a banca examinadora é composta pelos professores:


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